Hoje acordei.Sem saber porquê, meus pés me guiaram por corredores ebúrneos e cujas paredes soltavam um alarido musical, cheio de tons que invejariam qualquer arco-íris teimoso que voe por aí pálido. Nos meus olhos fechados, a razão fecunda finalmente a explosão dentro de mim. Sim, meus olhos estão grávidos de lindos gêmeos de minha solidão sonante.
Subo escadas lânguidas no final desses vales brancos. O canto angelical daqueles lapidícolos anjos que nada fazem cessa. Subo mão ante pé ante mão até a clarabóia iluminada por uma noite sem deuses. O inebrio de todas as drogas vagam voando, mas meus pés despertos e meus olhos gestantes não descansam, antes procuram, afastam, encontram uma pequena caixa infestada de papéis escritos.
Remexo, requebro, rebolo. Meus dedos como minhocas túmidas farejam o sabor da terra, recomida por debaixo de tudo. Não sei o que procuro.
Achei! entre as folhas infestadas de idéias repousa uma completamente alva e pura, virgem ainda da ponta do lápis. Pego-a e meus olhos se abrem, parindo. É ali, meu último recurso.
Pego o papel e o desejo. Ele também me deseja e me come com todo seus esplendor mudo. De seu infinito salta um sol, uma lua e cinco trolhões de estrelas. Agora entendo o meu repentino acordar: epifanar, finalmente.
Vejo-a (ou ela me vê), vendo-me por pouco e reparo em sua real natureza. O medo crisálido enfim borboleteando...

7 comentários:
Já ouvi falar de paredes que ouvem, mais que cantam é novidade.
não quero falar mal do seu texto, ou melhor, da sua poesia, afinal nem tenho conhecimento suficiente para formar uma critica, mais é impressionante como você descreve seu desejo por um simples papel em branco, mais o que uma folha de papel para um jovem poeta? uma oportunidade de passar seus sentimentos como um medo crisálido borboletiando.
epifania é uma palavra linda , que as pessoas deveriam sentir na alma, mas vivemos num mundo aonde somos pagos para não termos sentimentos, talvez seja por isso que eu acho bonito essa palavra nos dias de hoje.
queria ter o poder de transcrever melhor minhas ideias, mas somos jovens temos o tempo de teste, como você falou no texto anterior, erro aqui para evitar no futuro.
1. vc precisa de sexo
2. ganhou um dicionário de presente de natal?
3. na pegada da sines_teta, hein?
4. vc realmente precisa de sexo
Profundo.
"Acordei hoje"
E fez bem porque tem muita gente que nunca "acorda".
São esses mesmos que -descem as lânguidas escadas da ignorância.
Muito bom seu texto, tem poesia e fala do real.Lhe irão rotular de lirismo, mas lirismo é o pai natal que todos os anos é da raça branca e vestido de vermelho dizendo os mesmos Oh, Oh,Oh,Oh! e que nos todos dias seguintes deixa morrer as crianças da fome e guerra das favelas todas do nosso mundo.Trolhões de ignorância no espaço diminuto das capacidades cognitivas.
Amor?
SEntimentos?
"Vou ali e já venho"
Borboleteando? Sim. Devia ser disciplina obrigatória nas escolas da vida.
Abraço
P.S. Nem todos têm direito aos pormenores.
...last but not least...
Todos nós precisamos de sexo!.
Bem legal.
Sou meio noob, mas gostei.
Vou plagiar o que você escreve... aposto que não é registrado. Hiahiá, perdeu!
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