quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sinfonia de Um Branco Sem Papel

Hoje acordei.

Sem saber porquê, meus pés me guiaram por corredores ebúrneos e cujas paredes soltavam um alarido musical, cheio de tons que invejariam qualquer arco-íris teimoso que voe por aí pálido. Nos meus olhos fechados, a razão fecunda finalmente a explosão dentro de mim. Sim, meus olhos estão grávidos de lindos gêmeos de minha solidão sonante.

Subo escadas lânguidas no final desses vales brancos. O canto angelical daqueles lapidícolos anjos que nada fazem cessa. Subo mão ante pé ante mão até a clarabóia iluminada por uma noite sem deuses. O inebrio de todas as drogas vagam voando, mas meus pés despertos e meus olhos gestantes não descansam, antes procuram, afastam, encontram uma pequena caixa infestada de papéis escritos.

Remexo, requebro, rebolo. Meus dedos como minhocas túmidas farejam o sabor da terra, recomida por debaixo de tudo. Não sei o que procuro.

Achei! entre as folhas infestadas de idéias repousa uma completamente alva e pura, virgem ainda da ponta do lápis. Pego-a e meus olhos se abrem, parindo. É ali, meu último recurso.

Pego o papel e o desejo. Ele também me deseja e me come com todo seus esplendor mudo. De seu infinito salta um sol, uma lua e cinco trolhões de estrelas. Agora entendo o meu repentino acordar: epifanar, finalmente.

Vejo-a (ou ela me vê), vendo-me por pouco e reparo em sua real natureza. O medo crisálido enfim borboleteando...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Teste (Dois Pontos)


Antes de tudo, um teste. Algo ainda não explicado, não computado, e, por isso, nunca punido. Isso é um teste, uma liberdade flamulante agito agora. Todos estão convidados a erguer a mão comigo, sem pudores nem receios, só co'alma.

Mas se você não testa, como faz? Saia daqui, vire o rosto do mundo e se feche no guarda-roupa. A vida é a grande oportunidade do destino para testarmos, manipularmos, apertarmos, lambermos esse gosto ocre de existir. Há no momento toda nossa consciência?

Abram a boca, ponham as palavras oxidadas para fora e comecem! Vamos!

Com a testa marcada a sangue e fogo, eis que inauguro e propagandeio o prazer de fazer festa: experimentar!

E repito: isso tudo, até mesmo o que falei, tudo, tudo, um teste.